Mensagem do Santo Padre a Fraternidade Católica de Comunidades e Associações Carismáticas de Aliança no 25º Aniversário da Aprovação Pontifícia

Mensagem do Santo Padre a Fraternidade Católica de Comunidades e Associações Carismáticas de Aliança no 25º Aniversário da Aprovação Pontifícia

Queridos irmãos e irmãs,

Feliz Aniversário!

O Senhor os abençoe, especialmente neste Jubileu de Prata da aprovação pontifícia da Fraternidade Católica. Recordo-lhes que o desejo dos fundadores Briam Smith e Bob Cavner foi o de vincularem-se mais direta e filialmente com o sucessor de Pedro mediante o acompanhamento do Pontifício Conselho para os Leigos. Estes vinte e cinco anos deram frutos de crescimento em número de comunidades, assim como em diversidade de carismas e em relações de comunhão fraterna. Por isso, demos graças a Deus.

No ano passado, no encontro com a Renovação Carismática em 01 de julho, no Estádio Olímpico, vocês já estavam preparando um passo adiante, que poucos meses depois se converteu em realidade: A Fraternidade Católica de Comunidades e ICCRS – os dois organismos a serviço da Renovação no Mundo – compartilhando o mesmo escritório, dando assim testemunho de uma única corrente de graça manifesta na grande diversidade que o Espírito Santo cria.

Esta decisão de aprpost 49ofundar a comunhão entre vocês é já uma realidade que já me alegrou muito! As mudanças sempre são difíceis, e custa sair de nossas seguranças e espaços próprios para seguir ao que o Senhor nos inspira. Também se necessita a coragem que vem do Espírito, eu lhes agradeço por isso. Ao mesmo tempo, puderam comprovar que nem vocês Fraternidade Católica, nem o ICCRS perderam suas características próprias, mas que, pelo contrariam, enriqueceram-se na comunhão, porque a comunhão é obra do Espírito Santo.

Como vocês sabem, seguindo ao parecer do conselho de Cardeais, formado para me ajudar no governo da Igreja e na reforma da Cúria, instituí a Congregação de Leigos e Família, a que se ligará a Pontifícia Academia para a Vida. Neste espírito de conservar o essencial e reformar o acidental para um melhor serviço aos homens e mulheres de nossos tempos no qual a Igreja está empenhada, creio que este é o momento de discernir juntos – Catholic Fraternity e ICCRS – à luz da experiência de comunhão que já começaram a viver, a necessidade de continuar aprofundando esta comunhão conformando um único serviço à Renovação Carismática Mundial que represente a mesma corrente de graça, sem perder as características próprias de cada um. Isto significa que ambos – Catholic Fraternity e ICCRS – possam oferecer a experiência vivida à múltipla variedade expressões que o Espírito Santo quis suscitar em nível mundial.

Peço-lhes que – Catholic Fraternity e ICCRS – avancem neste caminho de comunhão.

“Alarga o espaço da tua tenda, desdobra sem constrangimento as telas que te abrigam, alonga tuas cordas, consolida tuas estacas, pois deverás estender-te à direita e à esquerda; teus descendentes vão invadir as nações, povoar as cidades desertas. Nada temas, não serás desapontada. Não te sintas perturbada, não terás do que te envergonhar, porque vais esquecer-te da vileza de tua mocidade. Já não te lembrarás do opróbrio de tua viuvez. IS 54, 2- 4

Alargar e estender a tenda desta comunhão seria a melhor maneira de celebrar o jubileu. Na comunhão, todos se fortalecem e ninguém perde a identidade; isto seria uniformidade, à qual certamente não vem do Espírito; antes, a comunhão na diversidade que Ele suscita.

Espero, ainda, resposta à carta pessoal que entreguei aos presidentes de Catholics Fraternity e ICCRS durante minha visita ao III Retiro Mundial de Sacerdotes, no dia 12 junho passado, onde falei-lhes neste sentido.

No Pentecostes de 2017 cumprem-se cinquenta anos da irrupção desta corrente de graça na Igreja Católica. Eu lhes convidei a celebrar este jubileu de ouro junto ao Bispo de Roma, na praça de São Pedro. Que não seja a celebração de um Movimento, que vocês de fato não o são, mas que seja a renovação de Pentecostes para a Igreja e para o Mundo junto a todos os cristãos que viveram a experiência de nascer de novo da que fala Jesus a Nicodemos. A Igreja e o mundo necessitam, hoje mais do que nunca, do Espírito Santo. Necessitam mais do que nunca do anúncio do querigma, proclamado por Pedro na manhã de Pentecostes, e para isto os cristãos devem estar unidos como pede o Senhor, para testemunhar juntos o amor misericordioso do Pai, que não faz acepção de pessoas, manifesto em Jesus Cristo, Senhor e Salvador.

Alegra-me que duas pessoas que colaboraram comigo por anos em minha diocese anterior, trabalhando para uma melhor compreensão e unidade da corrente de graça, assim como na tarefa ecumênica para a unidade do corpo de Cristo estejam hoje dentro da Fraternidade Católica. Seus conhecimentos e experiência lhes pode ser de grande ajuda para colocar em marcha estes dois grandes desafios que vocês têm por diante.

Termino reafirmando a missão que lhes tinha dado no ano passado: Compartilhem com cada um na Igreja o Batismo no Espírito Santo. Não se esqueçam suas origens: A Renovação Carismática nasceu ecumênica; o ecumenismo do encontro na oração fraterna, no serviço ao próximo e na oração de intercessão por nossos mártires comuns.  Trabalhem para aliviar as necessidades dos mais fracos e vítimas de todo o sofrimento humano. Aproximem-se e toquem, através deles, nas chagas do próprio Jesus. Compartilhem também com eles o Batismo no Espírito Santo. Os três primeiros documentos de Malinas tocam com profundidade nestes temas, dos quais lhes falei em outras oportunidades como um guia seguro para seu agir.

Neste ano da misericórdia que está por começar vocês sejam misericordiosos entre vocês e com o próximo. Saibam distinguir entre o pecado e o pecador. Ao pecador, misericórdia como a de Jesus. Ao pecado, rechaço e pedido de perdão. Para assim fazê-lo, fortaleçam-se diariamente com a oração de louvor, dom do Espírito Santo, que vocês redescobriram para a Igreja e que leva a uma cada vez mais intimidade com o Deus Trinitário.

Dou-lhes a minha benção com todo o afeto. Jesus os abençoe e as Virgem Santa os cuide. Peço-lhes, por favor, que não deixem de rezar por mim.

Vaticano, 30 de outubro de 2015

Papa Francisco

 

Discurso do Papa Francisco aos membros da Fraternity Catholic

brasão do Papa Francisco

DISCURSO DO PAPA FRANCISCO

AOS PARTICIPANTES DO III CONGRESSO DOS MOVIMENTOS ECLESIAIS E NOVAS COMUNIDADES

Sala Clementina,Sábado 22 de Novembro de 2014

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

É com prazer que vos recebo por ocasião do Congresso que estais a celebrar com o apoio do Pontifício Conselho para os Leigos. Agradeço ao Cardeal Ryłko, também as suas palavras, e a Mons. Clemens. Nestes dias, estão no centro da vossa atenção dois elementos essenciais da vida cristã: a conversão e a missão. Eles estão intimamente ligados entre si. Com efeito, sem uma conversão autêntica do coração e da mente não se anuncia o Evangelho, mas se não nos abrirmos à missão não é possível a conversão e a fé torna-se estéril. Os Movimentos e as Novas Comunidades que representais já estão projectados para a fase da maturidade eclesial, que exige uma atitude vigilante de conversão permanente, a fim de tornar cada vez mais vivo e fecundo o impulso evangelizador. Por conseguinte, desejo oferecer-vos algumas sugestões para o vosso caminho de fé e de vida eclesial.

Antes de tudo, é necessário preservar o vigor do carisma: que aquele vigor não esmoreça! Vigor do carisma! Renovando sempre o «primeiro amor» (cf.Ap 2, 4). De facto, com o tempo aumenta a tentação de se contentar, de adormecer em esquemas tranquilizadores, mas estéreis. A tentação de aprisionar o Espírito: esta é uma tentação! Contudo, «a realidade é mais importante que a ideia» (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 231-233); se é necessária uma certa institucionalização do carisma para a sua sobrevivência, não devemos iludir-nos que as estruturas possam garantir a acção do Espírito Santo. A novidade das vossas experiências não consiste nos métodos nem nas formas, que contudo são importantes; a novidade consiste na predisposição para responder com renovado entusiasmo à chamada do Senhor; foi esta coragem evangélica que permitiu o nascimento dos vossos movimentos e novas comunidades. Se formas e métodos são defendidos por si mesmos tornam-se ideológicos, distantes da realidade que está em evolução contínua; fechados às novidades do Espírito, acabam por sufocar o próprio carisma que os gerou. É preciso voltar sempre à nascente dos carismas e reencontrareis o impulso para enfrentar os desafios. Não fizestes uma escola de espiritualidade assim; não fizestes uma instituição de espiritualidade assim; não tendes um pequeno grupo… Não! Movimento! Sempre a caminho, sempre em movimento, sempre abertos às surpresas de Deus, que estão em sintonia com a primeira chamada do movimento, com o carisma fundamental.

Outra questão diz respeito ao modo de acolher e acompanhar os homens do nosso tempo, em especial os jovens (cf. Exort. ap.Evangelli gaudium, 105-106). Fazemos parte de uma humanidade ferida — devemos dizer isto — onde todas as instituições educativas, especialmente a mais importante, a família, têm graves dificuldades um pouco em todo o mundo. O homem de hoje vive sérios problemas de identidade e tem dificuldade em fazer as suas opções; por isso tem uma tendência a deixar-se condicionar, a delegar a outros as decisões importantes da vida. É preciso resistir à tentação de se substituir à liberdade das pessoas e a dirigi-las sem esperar que amadureçam realmente. Cada pessoa tem o seu tempo, caminha à sua maneira e devemos acompanhar este caminho. Um progresso moral ou espiritual obtido mediante a imaturidade das pessoas é um sucesso aparente, destinado a naufragar. Melhor poucos, mas sempre sem procurar o espectáculo! A educação cristã, ao contrário, exige um acompanhamento paciente que sabe esperar os tempos de cada indivíduo, como o Senhor faz com cada um de nós: o Senhor tem paciência connosco! A paciência é o único caminho para amar deveras e levar as pessoas a uma relação sincera com o Senhor.

Outra indicação é a de não esquecer que o bem mais precioso, o selo do Espírito Santo, é a comunhão. Trata-se da graça suprema que Jesus nos conquistou na cruz, a graça que de ressuscitado pede para nós incessantemente, mostrando as suas chagas gloriosas ao Pai: «Como Tu, ó Pai, estás em Mim e Eu em Ti, que também eles estejam em nós, para que o mundo creia que Tu Me envias-te» (Jo17, 21). Para que o mundo creia que Jesus é o Senhor é preciso que veja a comunhão entre os cristãos, mas se se vêem divisões, rivalidades e difamações, o terrorismo dos mexericos, por favor… se se vêem estas coisas, seja qual for a causa, como se pode evangelizar? Recordai também este princípio: «A unidade prevalece sobre o conflito» (cf. Exort. Evangelii gaudium, 226-230), porque o irmão vale muito mais do que as nossas posições pessoais: por ele Cristo derramou o seu sangue (cf.1 Pd 1, 18-19), pelas minhas ideias nada derramou! Depois, a verdadeira comunhão não pode existir num movimento ou numa nova comunidade, se não se integra na comunhão maior que é a nossa Santa Mãe Igreja Hierárquica. O todo é superior à parte (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 234-237) e a parte tem sentido em relação ao todo. Além disso, a comunhão consiste também em enfrentar juntos e unidos as questões mais importantes, como a vida, a família, a paz, a luta à pobreza em todas as suas formas, a liberdade religiosa e educativa. Em particular, os movimentos e as comunidades estão chamados a colaborar a fim de contribuir para curar as feridas causadas por uma mentalidade globalizada que põe no centro o consumo, esquecendo Deus e os valores essenciais da existência.

Por conseguinte, para alcançar a maturidade eclesial mantende — repito — o vigor do carisma, respeitai a liberdade das pessoas e procurai sempre a comunhão. Mas não vos esqueçais de que para alcançar a meta a conversão deve ser missionária: a força de superar tentações e insuficiências vem da alegria profunda do anúncio do Evangelho, que está na base de todos os vossos carismas. Com efeito, «quando a Igreja chama ao compromisso evangelizador, mais não faz do que indicar o verdadeiro dinamismo da realização pessoal» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 10), a verdadeira motivação para renovar a própria vida, porque a missão é participação na missão de Cristo que sempre nos precede e acompanha na evangelização.

Queridos irmãos e irmãs, vós já destes muitos frutos à Igreja e ao mundo inteiro, mas dareis outros ainda maiores com a ajuda do Espírito Santo, que suscita sempre e renova dons e carismas, e com a intercessão de Maria, que não deixa de socorrer e acompanhar os seus filhos. Ide em frente: sempre em movimento… Nunca vos detendes! Sempre em movimento! Garanto-vos a minha oração e peço-vos que rezeis por mim — tenho deveras necessidade disso — e de coração abençoo-vos.

 Agora peço-vos, a todos, que rezeis a Nossa Senhora, que experimentou esta experiência de conservar sempre o vigor do primeiro encontro com Deus, de ir em frente com humildade, mas sempre a caminho, respeitando o tempo das pessoas. E depois também nunca vos canseis de ter este coração missionário.